Livro “Mortais – Nós, a medicina e o que realmente importa no final” emociona ao apresentar a medicina do final da vida

Assim que eu passei no vestibular para o curso de medicina, aos 37 anos, lembrei que teria que lidar com um grande medo: a morte. Porque, nossa, não gosto nada da ideia de que vou morrer.

Por isso, veio a calhar, desde o título, o livro “Mortais – Nós, A Medicina e o Que Realmente Importa No Final”, do médico norte-americano de família indiana Atul Gawande.

Saber a nacionalidade (e o lugar que ele foi criado) e a origem familiar de Gawande são importantes no contexto do livro, porque são fatores importantes no contexto da morte.

No começo da obra, Gawande demonstra que o processo de morrer é eminentemente cultural. A ideia fica clara quando ele demonstra que, na Índia de seu avô, o final da vida, em casa, é muito diferente do ocaso nos Estados Unidos, geralmente em hospitais.

A vida familiar de Gawande serve não só para sustentar o argumento do final da vida como evento cultural, mas também como a grande linha narrativa da obra, com a vida -e os últimos dias- de seu pai.

A história deixa lições e perguntas: vale a pena sacrificar a qualidade de vida e, palavra-chave na obra, independência, para estender o tempo de vida de forma precária e com sofrimentos?

Ainda que seja um livro emocionante, Mortais também é uma obra de medicina.

O autor nos apresenta, por exemplo, pesquisas e dados a respeito da medicina paliativa e das práticas modernas para aumentar a expectativa de vida, além das questões éticas que as duas alternativas impõem ao médico e a sua relação com o paciente.

A medicina paliativa posta à vista pelas palavras cheias de empatia de Gawande é emocionante.

As histórias não são contadas a partir do horror dos familiares ou da falta de recursos dos médicos para lidar com casos fatais, mas sim de forma a colocar, em primeiro plano, quem realmente importa: a pessoa que sabe que o final da vida é inevitável em um tempo quase determinado.

2 thoughts on “Livro “Mortais – Nós, a medicina e o que realmente importa no final” emociona ao apresentar a medicina do final da vida”

  1. “Vale a pena sacrificar a qualidade de vida e, palavra-chave na obra, independência, para estender o tempo de vida de forma precária e com sofrimentos?” Não vale.

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